Eu gosto muito de escrever, contar minhas situações de vida, engraçadas ou não, mas tem dias (na maioria das vezes semanas e meses) que eu quero muito vir publicar no blog, mas sabe, simplesmente não vai, affff.
E tem sido assim por esse tempo, porém - forçando minha própria barra - aqui estou eu, novamente, não pra falar de cozinha, culinária, mas de mim mesma.
Eu venho de uma família classe média baixa, tínhamos tantas dificuldades e
a grande parte dessa porcentagem era financeira, meu pai, e minha mãe vieram de familia complicadas, ele veio morar no Rio de Janeiro ainda pequeno com 10 ou 11 anos, sozinho com uma família que o "adotou" vamos dizer assim, sofreu bastante, posso garantir, mas ele diz pra gente que a familia que o criou, era a sua família, mas nunca o colocaram na escola, entre outras coisas e hoje ele mau sabe ler, mas teve uma boa profissão e conseguiu se aposentar, minha mãe também teve uma familia dificil, filha mais nova do primeiro casamento de minha avó, que teve um segundo marido que era pedófilo e assediou a todas as entiadas - total 6 - e fez o mesmo (ou pior) com as filhas de suas entiadas, minha mãe querida, sempre foi a mais " tudo de ruim" como ela sempre diz, estudou, se formou e hoje tambem aposentada, meu pai, nunca foi presente, apesar de estar em casa sempre, minha mãe era muito, muito mesmo, severa e criança nunca sabia nada, nunca podia falar nada, nunca, podia questinar adulto, se chorassêmos, era frerscura, -engole o choro, ela sempre dizia, então quando íamos pra casa de minha avó, era como ir pra uma cadeira elétrica ou outra coisa terrível parecida, nunca podíamos mexer em nada, brinquedos não tínhamos, porque não se tinha dinheiro pra comprar, então pra ficármos quietas, eu e minha irmã, ou tínhamos lapís de cor a mão e papel ou estávamos de castigo, que não saíamos de forma nem maneira alguma, senão era surra com varas de pau ou a palmatória que insistia em ficar a vista no quintal.
Então o tempo passou, minha avó adoeceu e em maio de 1988 ela veio a falecer e eu senti demais, porque comigo ela sempre foi muito boa, sempre foi a avó que todos nós queremos e amamos, minha mãe que tinha um terror e temor gigantescos da minha avó, mãe dela, nutria um sentimento ruim em relação a mim, pois minha avó deixava claro a todos que me queria bem e aos outros netos não, e lembra? Eu disse que eu e minha irmã estávamos sempre juntas, enquanto pequenas minha mãe trabalhava e fazia a faculdade e não tinha com quem nos deixar, nem pagar alguém pra nos olhar, no final fomos pra casa de minha avó, assim ficamos as 2 a mercê do marido dela, muito pequenas e tudo era errado e tabus, não falávamos nada por medo de apanharmos, então os abusos se seguiam, até que minha mãe se formou e passamos a não ficar mais la naquela casa, mas foi o bastante pra minha mãe ver que minha avó me queria bem mais do que a minha irmã e com isso, quando ficávamos em casa, era o contrário que acontecia, eu ficava sempre de castigo e minha irmã se dando bem, pois minha mãe queria compensar minha irmã, mas a minha avó nunca a colocou de castigo e a fazia chorar, o tempo passou e passou, vivi a grande parte da minha vida, sozinha, simplesmente não havia espaço pra mim em casa, sempre estavam juntos meus pais e irmã, enfim, cresci assim e não tenho raiva nem sou complexada por isso, sou feliz, aprendi a resolver meus problemas sozinhas e hj consigo me ver bem melhor, só fico frustrada porque perdi tempo da vida, pois sempre fazia de tudo pra meus pais me notarem, terem orgulho de mim, esqueci que tinha coisas importantes e que eu não teria tempo pra essas coisas no futuro, pois a gente cresce e envelhece.
Hj, eu posso dizer que sou feliz, tenho um marido maravilhoso que faz de tudo pra me ver sorrir e feliz, temos nossa familia com dificuldades como todas as familias hoje em dia, mas procuramos ter harmonia no lar.
Em 1999, nos casamos depois de 3 mêses e meio de namoro, estamos juntos e muito bem, mas depois de ter relaxado, viver uma vida que eu queria, uma vida de calma, de concordância, de cumplicidade, uma vida marital de pessoas que são amigas e se respeitam, eu fiquei doente, depois de viver uma infância e adolescência de situações ruins, as vezes aterrorizantes, muito medo, medo de apanhar, medo de fazer errado e ficar de castigo, sem conversa entre pais e filhos, onde a opressão era completa, eu passei a ter uma vida normal, onde eu podia fazer o que eu tinha vontade, na hora que eu pensava que eu poderia, uma vida que eu mais sorria do que chorava, uma vida em que eu podia falar o que pensava sem ser recriminada, eu trabalhava e tinha meu próprio dinheiro e minha vida pertencia somente a mim e mais ninguém, meu cerébro entrou em parafuso e eu cai em depressão pronfunda, com um bebê recem nascido pra cuidar, havia parado de trabalhar fora, a vida ficou sem sentido de repente pra mim, na minha cabeça, mas naquela época ninguem sabia o que era depressão, era um mau espiritual, enfim, os anos da minha vida foram evoluindo e cada vez mais eu enloquecendo, não preciso dizer que a unica pessoa que estava comigo, me cuidando, se preocupando e fazendo de tudo e até o que não podia, era meu marido.
Nesse meio tempo meu vicio em internet se intensificou, muitas coisas aconteceram, as dificuldades ficaram pior a ponto de minha mãe fazer compras pra nós 3 termos o que comer, então numa das tantas buscas do que eu tinha.
Na época, não existia o google e sim o cadê e eu colocava na caixa de busca tudo que eu sentia, todos os sintomas, porque eu ficava ainda pior, pois eu queria sair daquilo que eu estava sentindo, mas eu nem sabia o que era, a ansiedade, por saber o que eu estava tendo, era tão grande que eu só fazia piorar minha depressão e minha situação de saúde, engordei cada vez mais e o tempo foi passando, até que sem dinheiro e sem plano de saúde, resolvi ir nessas clínicas pequenas de bairro que se paga uma pequena consulta e lá o médico ele passou exames e nada acusava, eletro encefalograma, hemograma completo, fiquei um tempo sem voltar, mas uma coisa preciso dizer, todos os dias eu pedia a Jesus e Mãe Maria (sou católica apostólica romana e tenho muita fé em Cristo) que me curasse, eu não queria mais estar daquele jeito, eu tinha tudo pra ser feliz, então um dia resolvi voltar ao medico e quando fui atendida era um gastroenterologista que estava atendendo como clinico, porque não tinha outro medico, contei minha história pra ele e então me explicou e disse que passaria um exame de tireóide, pois meus sintomas eram compativeis com problemas de hormônio, mas que não era a área dele e o resultado eu deveria levar ao endocrinologista, e pasme o resultado, normal era 0,5 no TSH sugerido pelo laboratório e o meu resultado estava em 14,0, portanto eu tinha e tenho hipotiróidismo, eu nunca vou me esquecer desses numeros, então começava a minha caminhada contra o tempo e melhorar, eu sempre disse que esse médico é o meu anjo enviado por Jesus, pois nunca mais o vi e na clinica, e os funcionários diziam que ele nunca trabalhou lá, enfim, comecei minha caminhada contra o tempo, comecei a frequentar medicos e médicos, hoje tenho uma psicologa maravilhosa, uma endocrinologista que me cuida muito bem, ainda não consegui voltar ao meu peso, mas não engordo mais, pelo menos, o peso é sempre o mesmo, mas uma coisa ocorre, quando eu era adolescente e queria muito ter a atenção dos meus pais eu cozinhava, criei receitas faceis e gostosa, mas nunca anotei as medidas e os ingredientes e hoje aos 40 anos ja não lembro mais de nenhuma, fazia almoços pra familia inteira, tios e tias, eu amava que me elogiassem, estavam me notando, afinal - mas ja naquela época, meu pai não me notava - e não fazia questão e sempre me criticava em tudo, mas tenho um tio que o considero meu pai, este sempre me educou e aconselhou, sempre esteve por perto, mas essa é outra história.
Hoje voltei ao meu gosto pela culinária, não tenho pretensão de me tornar uma "Chef du Cusine", mas bem que gostaria de ter algum lugar, pequenino, que eu pudesse preparar, e servir e ver todos, quanto eu pudesse servir, se deliciando e lambendo os dedos e loucos pela minha comida, um dia quem sabe, não é?
Jesus rege nossas vidas, meu marido me apoia sempre, depois da virada e transformação da minha vida, hoje sou a pessoa mais normal e centrada -rsrsrsrsrsrs- resolvi minhas pendências com mamãe e hoje ela é meu bebêzão, não vivemos mais longe, simplesmente não conseguimos ficar longe, apesar de as vezes ela ainda me deixar doida, com o jeito, ainda, agressivo que ela, ainda, tem, mas está melhor, sabe, meu pai se tornou um alcóolatra, controlador e invejoso, o marido de minha avó morreu 10 anos depois dela em 1998, dizem que foi morto aos poucos pela sua segunda esposa, 40 anos mais nova que ele e olhando e analisando, penso que ele pagou com juros, mora e um IOF bem alto por tudo que aprontou conosco, mulheres da mesma família, inclusive, dizem a boca pequena que ele acelerou a morte de minha avó, que era muito, muito doente. Enfim eu por eu mesma, uma breve biografia.
Minha madrinha costuma dizer que as mulheres de nossa familia, são guerreiras, eu concordo com ela, me curei de minha depressão tratando minha tireóide, tomando o tal do puran t4, ao longo dos anos as doses foram aumentando, claro, mas nunca tomei remedio pra controlar a ansiedade, nem muito menos antidepressivos, falo pra todos que quem me curou foi Jesus e Nsa Sra Santissima Maria, a minha cura, a minha transformação, a minha sabedoria, meu lar edificado foi por Eles e, se ao ler, puder te fazer feliz, fazer você se sentir bem, te ajudar em alguma coisa, sei lá, qualquer coisa ou tambem nada, eu vou ficar feliz só de você ter vindo me visitar aqui no blog e se divirta se puder, porque essa é a melhor parte de se viver.
Agora eu vou fazer um Kibe, um Bolinho de Bacalhau bem gostoso, ah, a receita eu depois coloco aqui pra você fazer pra sua família!
Jesus e Maria sempre te abençõe e proteja!
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